Psicomotricidade: reflexos clínicos e educacionais 3Os estudos da Psicomotricidade, mais que nunca, enfatizou o corpo e tudo o que com ele se relacionava; afinal, é pelo corpo que pensamos, aprendemos, sentimos, agimos; os diversos campos da atividade humana estão aprendendo a valorizar a psicomotricidade, incluindo-se ai os setores de marketing, propagandas, cinema, arte etc.

O termo “Psicomotricidade” mostra bem a relação entre o movimento, o pensamento e a afetividade nessa composição. A psicomotricidade é uma área de estudos ainda bem jovem, torna-se, portanto, necessária à busca constante e renovada de estudos em pesquisas que ganham forças e, vários trabalhos acadêmicos, enriquecidos, entram no campo linguístico, imagético e simbólico juntamente com a psicomotricidade.

Na clinica psicomotriz entendemos que a evolução motora do ser humano ocorre de modo previsto pela natureza; entretanto é preciso estimulações favoráveis a essa evolução bem como para prevenir perturbações que exijam outras modalidades interventivas.

Assim como os nosso primitivos, o novo homem, com seu novo cérebro cortical, precisa de habilidades coerentes com o novo mundo em que vive. Precisa de uma melhor consciência do seu espaço em relação ao seu corpo e tempo, melhores organizações simbólico representativas, melhores possibilidades percepto interpretativas e comunicantes para melhor se adaptar às altas tecnologias e saberes desse tempo e sociedade novos.

Psicomotricidade: reflexos clínicos e educacionais 4É verdade que a necessidade técnica e a sociedade um tanto pragmática pode reduzir no homem a consciência mais coletiva em prol da individual, mas uma educação psicomotora que leve em conta uma visão mais ampla e social pode trabalhar para que o sujeito vivencie proezas e, eticamente, ações socializadoras em alta escala.

Faz parte do novo mundo o corpo em movimento na busca de equilibrações que se coadune com o homem desejante do qual é constituído que busca encontrar-se consigo mesmo em diferentes sincronias. É uma forma de comunicação expressa no corpo e ação.

Talvez essa comunicação tônica e emocional esteja mesmo interligada as ânsias evolutivas contra as amarras sócioculturais e morais, conciliadas com as dimensões intelectuais e cognoscentes. Pode ser que esse novo homem seja mesmo multifacetado e multiativado pois, o corpo não é só motor, sua representação é da ordem de psiquismo e abrange o conjunto tônus muscular, postura, gestos e emoções, que em cadeia, determinam e qualificam uma ação e uma reação (COSTA, 2002 p. 29). Sob um olhar psicanalítico, Piaget já considerava, em 1973, a fusão da Psicanálise com a Psicologia cognitiva, formando uma só teoria. Hoje, a Psicomotricidade forma uma tríade, com essas duas, transformando os conceitos de corpo e de espaço. O corpo biológico vai deferindo do corpo imaginário e simbólico a partir da relação com o outro e com o real percebido. Nesse corpo, qualquer distúrbio fará parte de processos inconscientes.

Uma sintonia, então, de distúrbio psicomotor, poderá ser uma escolha corpórea diante de seu ser desejante. A subjetividade, então, engloba a estrutura cognitiva e simbólica, o mundo objetivo e o imaginário, junto aos impulsivos desejantes de cada indivíduo.

O nosso corpo possui características que são somente nossa, embora sejamos muito semelhantes. Cada corpo irá desenvolver uma ou várias características que lhe serão particulares. O prazer, a dor, a sensação e a percepção sempre irão acontecer com todos, no entanto, a intensidade de cada um desses aspectos vai depender de questões ora orgânicas, ora sociais, e muitas vezes, emocionais pelas quais todos nós nos constituímos. (ALMEIDA, 2014, p.101)

Cada sujeito, em sua ação/decisão, expressa sua maneira singular de lidar com a realidade e esta se vincula à experiência de sucessos e fracassos anteriores. Daí a questão da escuta clinica e da transferência facilitadora da consciência das questões desconhecidas por trás dos sintomas.Psicomotricidade: reflexos clínicos e educacionais 5

No ato do brincar, nas expressões realizantes, no aprender e solucionar, na totalidade do processo evolutivo do sujeito, inclusive do seu próprio eu social, estão as razões e as sustentações que constroem (ou destroem) a personalidade de um ser humano.

As atividades lúdicas ajudam a incorporar o mundo real, em especial na fase do faz de conta. As brincadeiras mostram a história de cada um, ajudam a realizar o real através do simbólico e lúdico.

O mundo do lúdico é um mundo onde a criança está em constante exercício. É o mundo da fantasia, da imaginação, do faz de conta, do jogo e da brincadeira. Podemos dizer que o lúdico é um grande laboratório que merece toda atenção de pais e educadores de uma forma geral, pois é por meio dele que ocorrem experiências inteligentes e reflexivas, praticadas com emoção, prazer e seriedade. (MACHADO, 2011, p.20)

O brincar responde ás ânsias de busca e prazer. As ações motrizes e as vivencias são interiorizadas, apoiam a construção do pensamento e devem ocorrer de modo equilibrante.

Desmontar, cortar, manipular, encaixar, dentro do processo evolutivo contribuem de forma psicológica e motriz para minimizar frustrações, ansiedades, colaborando no equilíbrio para aprender. Costa (2002) diz que a baixa tolerância a frustração pode estar embasada na fragilidade do ego, na autoimagem, autoestima, contraste entre expectativa x experiência. Daí a importância de uma formação qualificada em Psicomotricidade para educadores de modo geral.

Antes da revolução romântica, três concepções estabeleciam as relações entre o jogo infantil e a educação: (1) recreação; (2) uso do jogo para favorecer o ensino de conteúdos escolares; e (3) diagnóstico da personalidade infantil e recurso para ajustar o ensino às necessidades infantis. (KISHIMOTO, 2011, p.31)

  1. ALMEIDA, Geraldo Peçanha de. Teoria e prática em psicomotricidade: jogos, atividades lúdicas, expressão corporal e brincadeiras infantis. 7 ed. RJ: Wak Editora, 2004.

  2. COSTA, Auredite Cardoso. Psicopedagogia e Psicomotricidade. 2 ed.Petrópolis, RJ:Editora Vozes, 2002.

  3. KISHIMOTO, Tizuco M. (org); Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 14 ed. São Paulo: Cortez, 2011.

  4. MACHADO, José Ricardo Martins; NUNES, Marcus Vinícius da Silva. Jogos psicomotores: uma prática relacional na escola. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2011.

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