A Educação tem várias definições, não iremos discorrê-las nem criar mais uma, mas é preciso lembrar que ela está atrelada à linguagem da vida. Muitas são as linguagens que o homem tem e construiu na tarefa constante de se relacionar com a natureza e transformá-la a favor de suas necessidades e buscas evolutivas. A linguagem do corpo, a linguagem dos sentidos, dos sentimentos, as linguagens imagéticas e simbólicas do pensamento, a expressão sensitiva e cultural da fala, mas há também a linguagem da dor, da sensação silenciosa do abandono, da tristeza de ser diferente, da demonstração de exclusão manifesta pelo outro, e esta é, muitas vezes, uma linguagem do silêncio que nem sempre há quem possa escutar.

Educação especial e inclusiva 2As nossas ordens vitais, básicas e primitivas, foram, muitas delas, se aquietando pela força do cultural, da construção do intelectual, dos controles e zelos da integridade da consciência e da identidade, vivas nas diferentes formas de autorregulação e de adaptações múltiplas. Acreditamos na força incomensurável da natureza humana, tal qual na intensidade do poder da cultura, do processo civilizatório.

A Educação está a todo tempo conosco, penetrando pelos nossos sentidos, interferindo no alterar de nossos batimentos cardíacos, na tensão de nossos músculos, no alterar da nossa respiração, entre o prazer e a dor, no corpo e na mente. O aprendizado da vida faz parte do ser humano, como a água e o ar, para sua sobrevivência neste complexo mundo dos seus pares. E, quando este processo é acompanhando de muita dor, corpo e mente parecem adoecer, como se suas energias vitais entrassem em descompasso ou eminente desintegração.

Alguns autores dizem que a prática do fazer-se homem, dar-se-ia pelo gesto, pelo jogo, pelo brincar de corda ou amarelinha, pelos risos e desafios, pela ação de aprender e ser como vemos na educação ao se fazer presente como alimento do corpo, do saber e do ser feliz. Mas todo esse processo de fazer-se precisa ser desenvolvido na socialização, em meio à receptividade e à fraternidade. Neste desenvolver social, em todo tempo e espaço, homem e sociedade penetram em conflitos e soluções interpessoais constantes. Nesta dinâmica, entre a força das organizações1, estruturadas com padrões e valores preestabelecidos, encontramos, também, homens defensores de um discurso que favoreça os excluídos e possibilite sua transformação, evolução e inserção no fenômeno da mundialização.

Entretanto, não podemos negar que, mesmo contando com a pressão desses agentes defensores e do jogo dinâmico do campo existencial social, alterando as cristalizações valorativas, ainda há muitos efeitos dolorosos contidos nos estigmas, nos estereótipos, nos estilos discriminantes, no jogo da superioridade x inferioridade. São muitos os excluídos na vida, na sociedade e na escola.

São muitos os que estão fora dos nossos padrões, sendo, percebidos como imperfeições. E este, distante da oportunidade existencial e afastado dos nossos afetos vai, a cada momento, interiorizando sensações e certezas de fragilidade, incompetência e fracasso até a sensação subjetiva e cruel do não-ser.

Esta é a realidade de muitas crianças e jovens que, por longo tempo, estiveram (e alguns ainda estão) afastados e discriminados por serem considerados diferentes. É, nesta linha de pensamento, trazendo as noções de inclusão escolar, fazendo uma análise histórica e vivencial da situação que pretendo facilitar reflexões e sensibilizações, abordando as intervenções psicopedagógicas como minimizadoras da situação-problema em que muitos se encontram.Educação especial e inclusiva 3

Não tenho a pretensão de ensinar, pois estamos sempre voltados para o processo de aprender, de retroagir em nossas falhas, de avaliar e transformar nossas estratégias. Minha pretensão é dividir com educadores e pais minhas preocupações e sugestionar possibilidades, de modo que possamos, juntos, a cada tempo, encontrar as melhores formas de mediar à aprendizagem dos estudantes em situação de inclusão.

1 Refiro-me às organizações públicas e/ou privadas, independente de serem, ou não, instituições escolares.

Publicação sugerida pelo autor.

8 Comentários Respondidos

  • Marciani Vieira Memeli  10 de julho de 2017 em 08:29

    Para fazer e garantir a aprendizagem para os alunos da escola regular ou não, e preciso fortalecer a formação dos professores e criar redes de apoio tanto para os alunos como para os familiares, e para todos que trabalham nas escolas e na area da saúde. Pois se trabalharem juntos poderão desenvolver melhor esses alunos a terem uma vida melhor.

    Responder
  • Kelly Pechincha De Campos  18 de julho de 2017 em 16:19

    A educação especial e inclusiva tem como um dos objetivos oferecer uma educação de generalidade a todos , sejam eles crianças ou adultos com algum tipo de deficiência física ou mental.
    Entre esses objetivos trabalhar ás diferenças de uma forma que satisfaçam ás necessidades básicas de todos e promover á inclusão no meio social, isso requer um trabalho conjunto entre a família e escola.

    Responder
  • Adriana Lano  19 de julho de 2017 em 17:23

    A educação especial é uma forma de incluir o aluno naquele meio, pois como podemos ver no texto algumas crianças e jovens que têm alguma deficiência ainda são discriminados do meio que vive e a Educação Especial Inclusiva está na escola presente para que haja mesmo essa interação onde o aluno ele tem a vez, mesmo ele tendo alguma deficiência ele consiga ter a sua vez de falar, a sua vez de colocar o seu ponto de vista, ele não é um ser qualquer onde pode ser discriminado, ele é uma pessoa normal, não é porque que ele nasceu com uma deficiência que ele não pode ser incluído naquela sala de aula. E muitos professores ainda não estão preparados para receber esses alunos, eles mesmos discriminam esses alunos muitas vezes não colocam eles para participar de um trabalho em grupo, de uma atividade de sala de aula, o que custar ele fazer uma atividade diferenciada para aquele aluno dia especial.

    Responder
  • Gabriela Novelli  19 de julho de 2017 em 17:33

    Acredito que nas formações os professores devem entender que não há discriminação na hora de ensinar, o ensino de qualidade deve ser para todos. Trabalhando a diversidade com o intuito de satisfazer as necessidades e inclui-los no meio social. Infelizmente no Brasil, apesar do crescimento, muitas crianças portadoras de nee estão fora das escolas por diversos motivos, muitas estão matriculadas em locais específicos para crianças com deficiência , impossibilitando o contato e socialização com as demais crianças.

    Responder
  • Larissa Volkers Pimentel  20 de julho de 2017 em 13:39

    vemos que na realidade em que vivemos se deparamos com muitas crianças que precisam de cuidados especiais, e com isso assegura a educação especial e inclusiva, para incluir esse aluno no convívio social, por muitas das vezes no nosso dia a dia, nem todos as escolas segue esse tipo de educação de incluir, tem se o professor da área específica e tem o regente de sala, mas mesmo assim as mesmas por maioria acaba sendo incluídas pelos professores e pelos coleguinhas, que nem para isso professor conversa com a turma sobre inclusão.

    Responder
  • Rayane Silva Soares Bastos  20 de julho de 2017 em 14:07

    Trabalhar as diferenças no âmbito escolar é de grande importância, pois faz com que os alunos aprendam a conviver e a respeitar tudo o que é diferente. Para tanto faz-se necessário que a escola esteja preparada para receber crianças, adolescente e até mesmo adultos que precisem de uma atenção maior por serem especiais. Não basta a penas matricular o aluno, o mesmo precisa ser aceito por todos que o rodeiam, o trabalho com essas crianças precisa ser realizado por profissionais capacitados e bem preparados, e sempre com o apoio da família, pois essa é a base de tudo.

    Responder
  • Fábio Xavier Calais  20 de julho de 2017 em 18:51

    O aluno da educação especial, apresenta uma linguagem diferente perante os alunos normais,pois ele expressa dor pelo fato de não ser igual aos demais e sofrer por se sentir rejeitado pelas causas de sua especialidade.
    Então penso particularmente que ele não merece,esse sofrimento,gostaria muito de entender, portanto a medicina também não consegue explicar direito,o por que?

    Responder
  • Gleidiane Oliveira Rocha  28 de novembro de 2017 em 00:57

    Dentre os documentos que mais se destacaram no que se refere a inclusão,foi a Declaração de Salamanca, em 1994, onde se aponta não só o direito ao acesso de crianças com Necessidades Educacionais Especiais a rede de ensino quanto a qualidade da educação ofertada. A inclusão é algo mais amplo, o acesso a educação é um dos direitos do aluno com Necessidades Educacionais Especiais, ele também tem direito a inclusão em tantos outros setores que garantam sua participação social. Como a educação é o melhor espaço para se promover e desencadear uma melhor participação social e cultural, precisa ser de ótima qualidade para todos. Apesar de muitos profissionais da Educação sentirem dificuldades, e até insegurança em promover estratégias para a educação inclusiva, se observarmos bem, boa parte das recomendações metodológicas voltadas para a educação inclusiva (respeitando as diferentes necessidades) favorecem a todos os alunos, mesmo que não apresentem NEE. Seja qual for a estratégia adotada, deve-se levar em conta a maturação do aprendente, e visualizar mais as suas potencialidades do que as suas dificuldades. A aprendizagem cooperativa sugerida por Leitão (2010) pode ser uma excelente estratégia para o desenvolvimento da educação inclusiva, no entanto precisa ocorrer de diferentes modos e níveis ” Deve igualmente compreender-se que participar ativamente não quer dizer iguais níveis de participação para todos os alunos. No contexto de grupos heterogêneos a aprendizagem cooperativa revela toda a sua eficácia quando funciona de forma multi-modal e a diferentes níveis de participação, adequando-se às competências atuais de cada um dos alunos.” (Pág 26) Um exemplo desse tipo de prática é uma gincana multi-modal, as etapas (provas) são distribuídas de acordo com a área a ser desenvolvida de cada criança, é desafia-la no ponto certo, sem exigir demais ou desafiar pouco, e a depender da faixa etária, a competição não precisa ser entre equipes e sim,o aluno consigo mesmo, os desafios lançados precisam ser compatíveis com as necessidades do aprendente, e como dito anteriormente, esta é uma estratégia que pode favorecer a todos, independente de apresentarem ou não alguma Necessidade Educacional Especial.

    Responder

Deixe um comentário

Por favor, insira seu nome. Por favor, indique um endereço de email válido. Por favor, indique uma mensagem.