O brincar, no campo desenvolvimental, é parte integrante da evolução humana, em todos os seus aspectos-fisico-Psicomotricidade: um olhar além do brincar 3anatomico-funcional, psico-afetivo-emocional, e socio-linguístico-cultural. A sabedoria da natureza divisível e integradora conseguiu reunir diferentes modalidades desenvolvimentais de forma integrante, ao mesmo tempo em que preservou a unicidade do organismo vivo em acoplagens. Tudo isso, entretanto, tem sido um processo dinâmico, e adaptativo, que ocorre em estreita e unificada relações com o movimento.

As ações (práxis) vitais ocorrem em consonância com as necessidades e os esforços solucionadores dos organismos vivos em prol da vida, selecionado-se os efeitos positivos e negativos, e atrelando-os ao que se torna prazeroso e desprazeroso, útil e inútil.

O sistema nervoso humano, numa perfeita integração sistêmica, tem funções ordenadoras processadoras e executivas fantásticas e se utiliza intensamente da parte límbica-emocional e motriz para cumprir sua missão preservadora, ampliadora e reprodutora da vida.

O brincar, e todos os movimentos, involuntários, voluntários e criativos fazem parte do processo, junto à ordem homeostática e evolutiva.O brincar, como ação prazerosa, expansiva e comunicativa está ligada a todos os aspectos do desenvolvimento, inclusive no campo perceptivo e comunicativo, grandemente responsável no desenvolver das inteligências, comportamentos sociais e construções afetivas, emocionais e relacionais.

Nesse sentido, biólogos, neurocientistas, psicólogos, psiquiatras, psicomotricistas, psicopedagogos, entre outros profissionais, nos tem dado excelentes contribuições a respeito do processo desenvolvimental a partir das moléculas que compõem o nosso ser e alcançando o campo do conhecimento e das ações humanas.

A biomecânica tem sido estudada por alguns cientistas preocupados com os movimentos, em especial, para ajudar os atletas, e em forma de prevenção, minimizar os traumas nas suas práticas esportivas. Entretanto, seus estudos poderão ajudar bastante as linhas de pesquisa e cuidados especiais que vem sendo tratadas na psicomotricidade no campo desenvolvimental.

A psicomotricidade é inseparável das ações e da vida psíquica, estritamente relacionada a inteligência, ao pensar, querer e agir do ser humano. Fatores individuais e sociais se correlacionam ao existir e adaptar de cada sujeito no seu campo espacial de vivencias. Desde cedo, a criança convive com experiências físicas, interpessoais, emocionais num dado contexto que é também temporal e espacial, um constante convite ao movimento vital e de aprendizagens.

A psicomotricidade, como área de conhecimento, está conjugada às demais áreas do saber desenvolvimental, estendendo-se a campos diferenciados como a linguística, as psicologias, a neurologia, a pedagogia e outras especialidades. Segundo Alves, “A psicomotricidade envolve toda a ação realizada pelo indivíduo, que represente suas necessidades e permitem sua relação com os demais. É a integração psiquismo-motricidadede.” ( 2008, p.15)

Wallon, em 1979 foi um dos grandes pioneiros nos estudos de psicomotricidade, e enfatizou a afetividade na base de muitos movimentos e aprendizagens humanas. Considerou a existência de certo diálogo corporal que se expressa na tonicidade corpórea, uma forma de comunicação extremamente eficiente que já se estabelecia na espécie humana bem antes da linguagem verbal.

Para Wallon, esta modalidade comunicante, tem importância elevada na estruturação das áreas corticais que permitem o pensar simbólico representativo.Inegavelmente há um trabalho básico e incrível do sistema nervoso, o que não nos deixa minimizar a importância neurológica ou biofuncional do comportamento e da aprendizagem humana.

Psicomotricidade: um olhar além do brincar 2Embora psicomotricidade tenha-se enveredado pelos estudos patológicos e da reeducação motora, hoje suas pesquisas se estruturam como o afeto, a emoção, a inteligência e a socialização. A ideia é de que experiências corporais organizam a personalidade de cada um e no corpo se inscrevem as experiências que se teve ao longo da vida.

Costa (2002) lembra as contribuições de Wallon, Piaget e Ajuriaguerra voltadas para uma educação biológica, e culturais significativas, no trabalho de construção de cada indivíduo na sua relação com o mundo.

Assim, o brincar está entrelaçado ao trabalho construtor de cada um, em meio ao lúdico, ao cultural, ao idealizador e construtor, mas a psicomotricidade vai bem além do brincar e do uso dos objetos (como os brinquedos e jogos); Implica no despertar de uma educação psicomotora, em especial como base do desenvolver infantil e que se efetiva na idade pré-escolar.

A criança toma consciência de si e do seu corpo, descobre processos preciosos contidos entre espaço e tempo, se utiliza como habilidade de movimentos coordenados entre seu corpo e campo vivenciado, aprende a organizar tempo e tarefa, harmoniza, integra, realiza, planeja, expressa… Usando o corpo, mente e relacionamentos para objetivos cada vez mais elevados e diferenciados na realidade percebida.

O movimento, assim como o exercício, é de fundamental importância no desenvolvimento físico, intelectual e emocional da criança. Estimula a respiração e a circulação.O movimento permite à criança explorar o mundo exterior através de experiências concretas sobre as quais são construídas as noções básicas para o desenvolvimento intelectual.É a exploração que desenvolve na criança a consciência de si mesma e do mundo exterior. A criança se desenvolve desde os primeiros dias de vida, de maneira contínua. (ALVES, 2008, p.17)

A clinica psicomotora deu seu lugar hoje aos estudos psicanalíticos junto aos bioneurais e psicológicos. Aparecem estudos renovados de Melaine Klein, Solange Thiers, Lacan, Freud, Sami-Ali, Erickson e outros abrindo sempre espaços novos para novos olhares.

A escola, a família e qualquer trabalho que se ocupe do crescimento e desenvolvimento humano, precisa atentar para o corpo real, simbólico e imaginario de cada ser, vendo seus movimentos ou ações em dimensões várias que o compõem como a biologia-neural, afetiva, social e psicomotriz. O nosso corpo, afinal, no trabalhar e no brincar é um instrumento de relação de nosso mundo interno com o externo, participa ao máximo da construção do próprio eu e na organização do nosso conviver eu-mundo.

Neste contexto, norteamos o trabalho apresentado indagando sobre o olhar diferenciado para a ação do brincar e, do aprofundar do conceito que envolve a psicomotricidade.

  1. ALVES, Fátima. Psicomotricidade: corpo, ação e emoção. 4 ed. Rio de janeiro: Wak, 2008.

  2. COSTA, Auredite Cardoso. Psicopedagogia e Psicomotricidade. 2 ed.Petrópolis, RJ:Editora Vozes, 2002.

Publicação sugerida pelo autor.

3 Comentários Respondidos

  • Cristiane Kretli Neves Almeida  20 de novembro de 2017 em 21:57

    De fato o trabalho relacionado à psicomotricidade precisa ser estudado e debatido entre os profissionais de educação, principalmente os que estão diretamente ligados à educação Infantil. É de extrema importância que seja realizado com as crianças um trabalho efetivo relacionado a psicomotricidade.
    Sabe-se que todo o desenvolvimento de um ser humano, seja ele emocional, psíquico, cognitivo e motor, está ligado diretamente ao corpo. Tudo começa pelo movimento. Desde o útero da mãe, o bebê já faz movimentos involuntários e estes vão se aprimorando de acordo com o amadurecimento e crescimento do bebê.
    A esse movimento demos o nome de brincar. Movimentar-se correr, saltar, arrastar, rolar, entre outras brincadeiras que exigem movimento. Um brincar que desperta prazer em quem brinca. E esse brincar favorece o desenvolvimento nas diferentes áreas do conhecimento, responsável no desenvolver das inteligências, comportamentos sociais e construções afetivas, emocionais e relacionais.
    Portanto desenvolver a psicomotricidade na infância é de extrema importância, uma vez que a mesma é inseparável das ações e da vida psíquica.
    Trabalhar a psicomotricidade na educação Infantil com os pequenos ajuda-os a compreender seu próprio corpo e se situar no ambiente e no espaço.
    Portanto precisamos ter um olhar atento no que diz respeito ao trabalho com a psicomotricidade, desenvolvendo ações que favoreçam um desenvolvimento pleno através do brincar e que os profissionais da área, principalmente os professores possam se embasar teoricamente para que possam realizar um trabalho de qualidade com nossas crianças.

    De fato o trabalho relacionado à psicomotricidade precisa ser estudado e debatido entre os profissionais de educação, principalmente os que estão diretamente ligados à educação Infantil. É de extrema importância que seja realizado com as crianças um trabalho efetivo relacionado a psicomotricidade.
    Sabe-se que todo o desenvolvimento de um ser humano, seja ele emocional, psíquico, cognitivo e motor, está ligado diretamente ao corpo. Tudo começa pelo movimento. Desde o útero da mãe, o bebê já faz movimentos involuntários e estes vão se aprimorando de acordo com o amadurecimento e crescimento do bebê.
    A esse movimento demos o nome de brincar. Movimentar-se correr, saltar, arrastar, rolar, entre outras brincadeiras que exigem movimento. Um brincar que desperta prazer em quem brinca. E esse brincar favorece o desenvolvimento nas diferentes áreas do conhecimento, responsável no desenvolver das inteligências, comportamentos sociais e construções afetivas, emocionais e relacionais.
    Portanto desenvolver a psicomotricidade na infância é de extrema importância, uma vez que a mesma é inseparável das ações e da vida psíquica.
    Trabalhar a psicomotricidade na educação Infantil com os pequenos ajuda-os a compreender seu próprio corpo e se situar no ambiente e no espaço.
    Portanto precisamos ter um olhar atento no que diz respeito ao trabalho com a psicomotricidade, desenvolvendo ações que favoreçam um desenvolvimento pleno através do brincar e que os profissionais da área, principalmente os professores possam se embasar teoricamente para que possam realizar um trabalho de qualidade com nossas crianças.

    Responder
    • Vanessa Cavalcante  20 de novembro de 2017 em 23:41

      Excelente colocação!

      Responder
  • Danielle Servin  22 de novembro de 2017 em 00:42

    É na primeira infância que a criança desenvolve através do brincar e no jogo simbólico passando pelo real e o imaginário. É através desta ferramenta que a criança aprende a reconhecer e a ganhar vínculos familiar e social, promovendo assim a amizade. Promovendo brincadeira e jogos, o psicomotricista pode facilitar o desenvolvimento cognitivo-motor, social e emocional na vida da criança ou adolescente.

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