Psicomotricidade como prevenção e intervenção 2Wallon, em seus estudos aperfeiçoados também considerava que essas implicações tônicas dos movimentos tenham estreita ligação com as emoções. A linguagem do corpo pode evidenciar alegria e dor, nossa autoestima, nossos medos, nossas certezas e defesas. O tônus alterado pode ser minimizando pela educação motora, com exercícios específicos e na clinica psicomotora com a escrita, testes, trabalhos da psicanálise e outras tantas modalidades terapêuticas.

Todos os seres humanos se constroem gradativamente, ninguém nasce pronto, nem aprende ou assimila o eu no mundo de uma só vez. No campo desenvolvimental e cultural, cada sujeito necessita de certas habilidades para sobreviver em seu ambiente. A famosa concepção de equilíbrio, coordenação, grafismo e outros revelam a necessidade corporal/relacional com equilibração, destreza, eficiência etc. O mundo social é pleno de valores, expectativas, controles, imposições e, mesmo assim temos de aprender como agir na relação eu/outros sem perda da autoimagem positiva.

O corpo expressa a individualidade do ser, é percebido pelo sujeito e pelos outros. Passa a ser internalizados pelo sujeito em processos de diferenciação x pertencimentos. O desenvolver do esquema corporal implica em tudo isso e ainda as emoções e afetos na interação com o mundo.

Psicomotricidade como prevenção e intervenção 3Na arte do brincar, músculos, tendões, ossos, articulações são uma espécie de sistemas de alavanca ampliando pequenos movimentos. A compreensão e o acompanhamento nas “brincadeiras infantis” podem nos permitir entender melhor as crianças e ajudá-las preventiva e interventivamente na saúde geral, a partir dos conhecimentos da psicomotricidade. Novos e cada vez mais curiosos olhares ao brincar, conduzidos pela sensibilidade ao outro e esses saberes científicos, podem nos ajudar a ajudar o desenvolvimento sadio de grande parte de nossas crianças, em qualquer espaço onde se encontrem.

Neto (2002) recomenda que fiquemos atentos aos elementos básicos da motricidade, como a motricidade fina e viso-manual; ensina que nela está a participação equilibrante de diferentes centros nervosos, motores, sensoriais e físico-anatômicos, mesclados aqueles responsáveis pelos sistemas de campo psicoemocionais. Lembra que o córtex pré-central, correspondente à motricidade fina, precisa ser bem entendido no trato com a criança ao usar mão e dedos para desenvolver tarefas com controles táteis e motores.

A escuta representa uma atividade motriz usual que requer atividade controlada de músculos e articulações de um membro superior associada à coordenação viso-manual (…) A escuta consiste em uma organização de movimentos coordenados para produzir formas e modelos; consistem uma praxia motora (NETO, 2002 p.16)

Rascunho automático 1A psicomotricidade é uma área interdisciplinar ampla, onde aspectos biomédicos, psicocognitivos, socioculturais, afetivo/emocionais entre outros estão englobados. Consiste numa gama de possíveis saberes que não são fechados, mas abrem a todo momento para novos estudos e práticas. Noções como, equilíbrio, organização tempo-espaço, lateralidade, tônus e linguagem, são pontos significativos e básicos, mas há muito mais a se buscar. Uma avaliação psicomotora, que exige teste motor, verificação do perfil motor, uso de baterias e da escala de desenvolvimento motriz, pode ser extremamente valida, entretanto, ainda seria pouco diante da nossa própria abertura e prontidão para aprender a fazer nossas tarefas profissionais, a começar pela observação e participação no brincar infantil.

  1. NETO, Francisco Rosa. Manual de Avaliação Motora. Porto Alegre, Artmed, 2002.

Publicação sugerida pelo autor.

Um Comentário Respondido

  • JUREMA ANTUNES DA ROCHA (CENSUPEG TEIXEIRA DE FREITAS -BA)  17 de novembro de 2017 em 01:58

    A pré – escola é a fase de encantamento tanto dos pais quanto para os alunos. É nesse momento que não somente o professor de educação física, mas os outros precisam elaborar atividades de psicomotricidade que sejam prazerosas para as crianças.
    O objetivo desse trabalho é que os alunos desenvolvam suas habilidades motoras tais como: lateralidade, organização espacial e temporal, equilíbrios, tônus e linguagem etc…
    Segundo Barreto (2000, p. 1), “O desenvolvimento psicomotor é de suma importância na prevenção de problemas da aprendizagem e na reeducação do tônus, da postura, da direcionalidade, da lateralidade e do ritmo”.
    Sendo assim as habilidades citadas acimas, se o professor fizer as as intervenções necessária, desenvolve o campo afetivo, intelectual e motor facilitando o processo de alfabetização leitura/escrita.

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