O ser humano é um animal racional, mas antes de tudo é um ser dinâmico, sempre em movimento e por isso pouco aderente ao estático. Curiosos por natureza, gosta de desafios, às vezes assume posições dicotômicas e opostas como o prazer e o medo diante de obstáculos a serem vencidos ou superados.

Desde os primeiros momentos de vida, mesmo a intra-uterina, intuí-se que cada pessoa tem sua própria maneira de ser, de estar, e de fazer no mundo. Desde o seu nascimento, o bebê irá estruturando sua personalidade, descobrindo e conquistando o mundo dos objetos e das pessoas que o rodeiam por meio dos sentidos, das percepções, das emoções, do movimento e dos diversos intercâmbios com o meio. (ARNAIZ, 2003, p.18)

Brincando e Evoluindo 2Os jogos, por exemplo, são estimulantes significativos à natureza viva da criança e a aprendizagem, pré-escolar, costuma utilizar um conjunto de jogos que facilitem o desenvolver de diferentes habilidades motoras verbais, de raciocínio mental, percepto visual etc… E, preventivamente, pode-se garantir maior facilidade para os estudos do Ensino Fundamental, na ampliação de vocabulário, na socialização, nas nações de quantidade/medida e outros.

Muitos tipos de jogos e brincadeiras que foram desenvolvidos no passado, mesmo sem o conhecimento cientifico e ainda no campo do pensamento mitológico, mítico, prototáxico e paratáxico, nos conduziram a rápidas modalidades estruturais do cérebro cortical. Uma significativa evolução do pensar e comunicar humanos.

Através do jogo, a criança vai desenvolvendo intercâmbios por imitação e por diferentes aproximação comunicativas: contrato corporal, voz, olhar, gestos… Essa evolução a levará, também, à descentração: a criança se socializa, escuta, compartilha, se ajusta.(ARNAIZ, 2003, p.43)

Brincando e Evoluindo 3Alguns tipos de brincadeiras podem ser feitas com pouco ou nenhum material, com baixo custo e curta duração, mas com altíssimo valor desenvolvimental. Exemplos dessas formas de brincar é a antiga Amarelinha, Jogos das pedrinhas ou Escravos de Jó, Corrida no saco, Pega maça, Jogo do bastão e outros. Hoje, muitos foram sendo desenvolvidos nas escolas novas como os de Adivinhação, Jogo de curiosidades ou interrogação, Viagem alfabética, Palavras encadeadas, jogos opostos, e outros tantos que não só ajudam habilidades verbais ou linguísticas, como adubam a rapidez mental e motriz, iniciativa no grupo, ativando a memória em vários ângulos e facilitando criatividades.

No campo da Educação Física, às escolas tem utilizado pequenas tábuas tipo lápis grosso para demarcações de áreas nos pátios (cimentados ou aterrados) em estimulo ao raciocínio matemático e geográfico. Nesse estilo temos a Reta das fronteiras, Caça ao tesouro, as áreas afins, A armadilha, a Dança do quadrado, Siga a linha, Encontre a frase entre tantos outros.

No campo da ciência, vários jogos são ativadores de conhecimento e ativação mnemônica, com movimentos esparsos ou limitantes facilitando o esquema corporal e noções de espaço e tempo e lateralidade. Exemplos destes são Encontre o material – antigo Boca de Forno(Vegetal, animal, metal etc… escondidos no pátio ou escritos em papel).

O brincar é uma maneira ativa e divertida de compartilhar ideias, socializar experiências, estreitar amizades, estimular relações interpessoais e outros. Podemos, com uma figura virada para baixo e erguida em dado momento, pedir que todos escrevam uma ou mais palavras que surgiram em suas mentes a partir dessa imagem. Ao final todos se juntam para criar histórias a partir da brincadeira. Elas serão lidas em sala de aula, favorecendo também o desenvolver da linguagem oral.

Chomsky traz a questão cartesiana do caráter criativo da linguagem, de que o conhecimento das regras da linguagem permitem infinitas construções das frases. A compreensão de que é possível criar novas sentenças a partir de outras regras é a chave para a compreensão da linguagem e de sua teoria sobre as brincadeiras infantis. (KISHIMOTO,2011, p.37)

No jogo das 4 estações, adaptados da China pelos brasileiros, desenha-se um circulo no chão e são distribuídas fichas com palavras típicas de cada estação (Exemplo: calor, frio, casco de lã, praia, frutos, flores etc…) e, a medida que o recreador fala verão, outono, inverno, primavera, os alunos levam as fichas para preencher o campo que está designado no chão. Ao final, os alunos comentam sobre a experiência e as fichas.

Assim, as capacidades, habilidades, saberes se organizam com os movimentos, afetos, emoções, socializações dos alunos, auxiliando os aspectos desenvolvimentais englobados e prazerosamente vivenciados.

Brincando e Evoluindo 4Além desse tipo (mais de 1000) de brincadeiras e jogos de matrizes em educação, lembramos sempre aqueles que são frutos de sucatas, palitos e conchas catados nas praias, jornais e revistas, papéis de bombons e muitos outros que contam com a ação das crianças mesmo fora da escola. Jogo de Esconde-esconde, de montar, ou Cabra-cega, e outros são bem ágeis e exige atenção constante de mais de dois educadores ou recreadores no pátio escolar, mas são preciosos para o desenvolvimento integral do aluno.

Nos parece bom lembrar que é ao final do Século XVIII que o corpo, sob a ótica filosófica, teve várias considerações, sendo que só foi estudado sistemática e cientificamente após o Século XIX. A neurologia e a neuropsicologia estudaram o corpo mais sistemático e experimental, depois a psicologia, a psicanálise e outras ciências se juntaram a Anatomia e a Fisiologia na melhor compreensão do funcionar da mente, do cérebro e das perturbações humanas.

  1. ARNAIZ Sánches, Pilar; MARTINEZ, Marta Rabadán, PEÑALVER, Iolanda Vives. A psicomotricidade na educação infantil: uma prática preventiva e educativa. Tradução: Inajara Haubert Rodriguês. Porto Alegre: Artmed, 2003.

  2. KISHIMOTO, Tizuco M. (org); Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 14 ed. São Paulo: Cortez, 2011.

Publicação sugerida pelo autor.

Um Comentário Respondido

  • Cristiane Kretli Neves Almeida  20 de novembro de 2017 em 23:00

    O ser humano é movimento. É dinâmico e gosta de movimentos constantes.
    A curiosidade é algo de fato que move o ser humano, e este, por sua vez sente-se desafiado com as novas descobertas e possibilidades que o mundo oferece.
    Sabendo que o ser humano é puro movimento, não tem como pensar em aprendizagem sem nos associarmos aos jogos e brincadeiras.
    É por meio dos jogos que a criança interage com o outro, construindo assim seu aprendizado.
    Sabe-se que as possibilidades e estratégias que podemos realizar através dos jogos são inúmeras. E estas independe de material pronto ou comprado, podendo ser improvisado com materiais reciclados, e que levarão a um aprendizado significado para a criança.
    Os jogos podem e devem ser utilizados em todas as disciplinas, associando teoria e prática. Assim tem a possibilidade de compartilhar ideias, socializar experiências, estreitar amizades, estimular relações interpessoais, entre outros.
    Os jogos sempre foram e serão fortes aliados, que ajudam diretamente no aprendizado.

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